A forma como buscamos os outros na vida adulta é moldada pela maneira como fomos acolhidos na infância. Raramente escolhemos esses padrões de forma consciente. Eles aparecem no corpo antes de termos palavras para descrevê-los: o aperto no peito quando uma mensagem fica sem resposta, o impulso de se afastar quando alguém se aproxima.

A teoria do apego nos oferece um mapa desses padrões. A Psicossíntese acrescenta algo que o mapa sozinho não consegue mostrar: uma percepção de quem está se apegando e de um Self mais profundo que nunca foi ferido. Juntas, essas perspectivas oferecem uma forma de compreender as relações que é ao mesmo tempo fundamentada e esperançosa.

Bowlby e a necessidade de uma base segura

John Bowlby, psiquiatra e psicanalista britânico, argumentou que o vínculo entre o bebê e quem cuida dele constitui um sistema biológico por si só, não um subproduto da alimentação. Ao trabalhar com crianças separadas de seus cuidadores e enlutadas após a Segunda Guerra Mundial, observou que a perda de quem cuidava delas provocava uma sequência previsível: protesto, depois desespero e, por fim, desligamento. Sua trilogia Attachment and Loss (1969–1980) apresentou essa teoria.

Duas ideias estão em seu centro. A primeira é a base segura: alguém de quem a criança pode se afastar para explorar o mundo e a quem pode voltar quando sente medo. A segunda é o modelo interno de funcionamento, uma espécie de referência interior sobre se é possível confiar nos outros e se somos dignos de cuidado. Esses modelos se formam cedo e seguem conosco, moldando silenciosamente o que esperamos do amor.

Mary Ainsworth trouxe evidências para essa teoria. Seus estudos da "Situação Estranha" observaram como crianças de um ano reagiam a breves separações de suas mães e ao reencontro com elas. A partir dessas observações, ela descreveu diferentes padrões de apego. Mary Main e Judith Solomon identificaram posteriormente um quarto padrão.

Os quatro padrões de apego

Cada padrão é uma adaptação inteligente ao cuidado que a criança de fato recebeu. Nenhum deles é um defeito de caráter.

Seguro. Quem cuidava da criança respondia às suas necessidades de forma confiável, e ela aprendeu que seu sofrimento podia ser compartilhado e acolhido. Abalada pela separação, encontra consolo no reencontro e volta a brincar. Seu modelo interno diz: sou digno de amor e posso confiar nos outros.

Ansioso (ambivalente ou resistente). O cuidado existia, mas era inconsistente: caloroso num momento e ausente no seguinte. A criança aprende a intensificar seu sofrimento para manter o cuidador por perto e tem dificuldade de se acalmar mesmo quando recebe conforto. Seu modelo interno diz: o amor é real, mas incerto; preciso me agarrar a ele.

Evitativo. O cuidador atendia com regularidade às necessidades práticas, mas se sentia desconfortável diante das necessidades emocionais. A criança aprende a minimizar seu sofrimento e a parecer autossuficiente. Mostra pouca reação visível no reencontro, embora o corpo continue em estado de alerta. Seu modelo interno diz: precisar dos outros leva à rejeição; preciso contar comigo mesmo.

Desorganizado. Quem cuidava da criança era fonte de medo e também de conforto, muitas vezes por causa de traumas ou perdas não resolvidos do próprio cuidador. A criança enfrenta um impasse impossível: a pessoa para quem precisa correr é a mesma de quem precisa fugir. Nenhuma estratégia coerente consegue se formar. Seu modelo interno diz: a proximidade é o que preciso e também o que me coloca em perigo.

Como os padrões continuam presentes no amor adulto

Em 1987, Cindy Hazan e Phillip Shaver mostraram que o amor romântico mobiliza o mesmo sistema. Nossos parceiros se tornam nossa base segura, e os antigos modelos internos voltam com força quando a intimidade se aprofunda.

PadrãoNas relações adultasO medo subjacente
SeguroSente-se à vontade com a proximidade e a independência; consegue expressar necessidades e reparar a relação após conflitosRelativamente pouco medo; o sofrimento é tolerável
AnsiosoPreocupa-se com a disponibilidade do parceiro; interpreta a distância como rejeição; protesta, insiste e busca garantiasAbandono
EvitativoValoriza a autossuficiência; afasta-se quando as necessidades são expressas; mantém parte de si fora de alcancePerder a autonomia e tornar-se dependente
DesorganizadoOscila entre o desejo e o medo; aproxima-se e depois se afasta; as relações podem parecer caóticasTanto o abandono quanto a intimidade

Uma dança familiar e dolorosa se forma quando uma pessoa ansiosa se relaciona com uma evitativa. Uma busca proximidade, a outra recua, e cada uma confirma o medo mais profundo da outra. O desejo ansioso de se fundir ao outro também pode se tornar adicção amorosa: a busca por alguém que finalmente nos faça sentir inteiros.

Essas são tendências, não tipos fixos. A maioria de nós carrega mais de um padrão, e relações diferentes despertam partes diferentes de nós. É aí que a Psicossíntese se torna especialmente útil.

Um olhar da Psicossíntese

Roberto Assagioli, o psiquiatra italiano que fundou a Psicossíntese, não escreveu sobre a teoria do apego. Ainda assim, seu modelo da psique dialoga diretamente com ela, e autores posteriores estabeleceram essa ponte de forma explícita.

Estilos de apego como subpersonalidades. Assagioli via a personalidade como composta de muitas partes relativamente autônomas, cada uma com suas necessidades, seus medos e sua maneira de se expressar. Um padrão de apego pode ser compreendido da mesma forma. A parte que confere o celular à meia-noite não é tudo o que somos. Tampouco é tudo o que somos a parte que esfria e quer ir embora. Nomeá-las como subpersonalidades, em vez de defini-las como nossa identidade, abre espaço para encontrá-las com curiosidade.

A ferida primordial e a personalidade de sobrevivência. John Firman e Ann Gila desenvolveram a Psicossíntese precisamente nessa direção. Eles descrevem como o senso de "eu" da criança depende de ser vista e compreendida com empatia por seus cuidadores, a quem chamam de centros unificadores externos. Quando esse espelhamento falha, o resultado é o que denominam ferida primordial: uma ruptura na conexão sentida com nosso próprio ser. Para lidar com isso, construímos uma personalidade de sobrevivência. Apegar-se ansiosamente e bastar-se a si mesmo de forma evitativa são duas de suas formas mais comuns, cada uma nos protegendo de reviver essa ruptura original.

Desidentificação e o "eu". No centro da Psicossíntese está a descoberta de que temos sentimentos, pensamentos e padrões, mas não somos apenas isso. O "eu" é um centro de consciência e vontade que pode observar a parte ansiosa ou evitativa sem ser engolido por ela. Desse lugar, a escolha se torna possível onde antes havia apenas reação.

O Self como a base segura mais profunda. Assagioli situou o "eu" em relação com um Self mais profundo e transpessoal. Firman e Gila sugerem que essa relação é o próprio fundamento do nosso ser, que os cuidadores humanos espelham bem ou mal. Na linguagem do apego, o Self é a base segura que nunca se perdeu, mesmo quando o cuidado recebido na infância foi insuficiente. Isso não substitui a necessidade de conexão humana. Significa que nosso valor não depende inteiramente de uma pessoa ficar.

Rumo à segurança conquistada

A pesquisa sobre apego traz uma descoberta esperançosa: a segurança pode ser conquistada. Adultos que tiveram infâncias difíceis ainda podem desenvolver formas seguras de se relacionar, muitas vezes por meio de uma relação confiável que lhes ofereça uma experiência diferente de serem acolhidos. A terapia é uma dessas relações.

Na terapia de Psicossíntese, esse trabalho costuma acontecer de algumas maneiras:

  • O terapeuta como um novo centro unificador. Uma presença constante e empática oferece o espelhamento que faltou. Com o tempo, a pessoa o internaliza.
  • O encontro com as subpersonalidades. A parte ansiosa ou evitativa é acolhida, não combatida. Aprendemos o que ela protege, do que precisa e que contribuição pode oferecer quando já não precisa controlar tudo.
  • O fortalecimento do "eu" e da vontade. Por meio da desidentificação, a pessoa aprende a perceber um padrão quando ele surge e a escolher uma resposta diferente.
  • A abertura ao Self. Por meio da reflexão, da imaginação e da meditação, a pessoa descobre uma fonte de valor e pertencimento que não depende de ninguém em particular.
  • A transformação da relação. O parceiro ansioso aprende a se acalmar e a pedir com clareza. O parceiro evitativo aprende a permanecer presente um pouco mais. Ambos aprendem que é possível reparar o vínculo depois de uma ruptura.

A segurança conquistada não é o fim do desejo de proximidade. É a capacidade de amar sem nos perdermos e de estar perto sem desaparecermos.

Da ferida ao Amado

Bowlby nos mostrou que somos feitos para a conexão e que a forma como fomos acolhidos pela primeira vez molda a maneira como nos apegamos. A Psicossíntese nos lembra que, por trás de cada padrão, existe um "eu" capaz de observá-lo e um Self que nunca foi quebrado.

Vistas em conjunto, nossas dificuldades de apego não são apenas sintomas a corrigir. São expressões de um desejo profundo e legítimo de sermos acolhidos, de pertencermos e de nos sentirmos inteiros. Quando deixamos de pedir a um parceiro que cure a ferida primordial, ganhamos liberdade para encontrá-lo como ele é. E o amor pode se tornar menos uma busca por salvação e mais um encontro entre duas pessoas, cada uma em contato com o próprio centro.

Leituras complementares

  • John Bowlby, A Secure Base (1988)
  • Mary Ainsworth et al., Patterns of Attachment (1978)
  • Roberto Assagioli, Psychosynthesis (1965)
  • John Firman e Ann Gila, The Primal Wound (1997) e Psychosynthesis: A Psychology of the Spirit (2002)
  • Amir Levine e Rachel Heller, Attached (2010)